TCU - 23 de Julho
Brasil apresenta resultados de 2025 na 80ª Sessão do Conselho de Auditores da ONU
O Brasil apresentou ao Conselho de Auditores das Nações Unidas (United Nations Board of Auditors, no original em inglês) os resultados das auditorias realizadas em 2025. Os trabalhos conduzidos pelo país resultaram em 106 achados e 149 recomendações, com índice de aceitação de 92% pelas entidades auditadas. Também foram emitidas oito opiniões sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras analisadas.
Os relatórios foram submetidos à revisão e à aprovação do colegiado durante a 80ª Sessão Regular do Conselho, realizada nesta terça (21/7) e quarta-feira (22/7), na sede da ONU em Nova Iorque. A apresentação encerra o segundo ano de atuação brasileira no órgão.
As auditorias concentraram-se em três áreas consideradas críticas diante das restrições financeiras enfrentadas pelas Nações Unidas: sustentabilidade financeira, entrega de serviços aos beneficiários e gestão de pessoas. Mais da metade dos achados é relacionada à prestação de serviços às populações atendidas pela ONU e aos profissionais responsáveis pelo funcionamento da organização.
Foco humano
Ao apresentar os resultados, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, destacou que o impacto das auditorias deve ser medido pela capacidade de melhorar a atuação das instituições e a vida das pessoas atendidas.
Foto do Ministro Vital do Rêgo
"A auditoria pública deve ter como premissa melhorar a vida das pessoas; por isso, temos que ter sempre as pessoas em primeiro lugar", frisou.
A diretriz orientou a seleção dos temas examinados e a avaliação dos resultados alcançados pelas entidades. Além da regularidade de contas e procedimentos, os trabalhos buscaram verificar se os recursos administrados pelas Nações Unidas estavam sendo convertidos em serviços e benefícios para a população.
Método e segurança
Foto dos ministro do TCU
As conclusões apresentadas pelo Brasil também se inserem no contexto da UN80, processo de reforma das Nações Unidas criado para revisar despesas, estruturas e formas de trabalho da organização.
A iniciativa busca reduzir custos e sobreposições, melhorar a coordenação entre órgãos e programas e tornar mais eficiente a execução dos mandatos aprovados pelos países-membros. Também prevê a análise de mudanças estruturais no sistema ONU, com o objetivo de concentrar recursos nas atividades de maior impacto.
Entre os destaques do ciclo está a auditoria realizada no Fundo Conjunto de Pensão do Pessoal das Nações Unidas (UNJSPF). Em um ano de volume recorde de concessão de benefícios, as equipes brasileiras desenvolveram um modelo atuarial independente e recalcularam benefícios pagos pelo Fundo. O trabalho ofereceu segurança adicional sobre informações que afetam mais de 90 mil pessoas em mais de 190 países.
A auditoria avaliou a consistência dos valores apresentados e os processos que podem influenciar o pagamento e a sustentabilidade dos benefícios ao longo do tempo.
Diálogo institucional
Foto ampla
Ao comentar o índice de 92% de aceitação das recomendações, o ministro Vital do Rêgo ressaltou que o resultado vai além de um indicador numérico.
"A taxa de aceitação não é um número burocrático. É a medida do diálogo. Significa que as entidades reconheceram os problemas e se comprometeram a corrigi-los", destacou.
Segundo o presidente do TCU, o resultado decorre da forma como as equipes brasileiras conduzem a relação com os gestores das entidades auditadas, com comunicação clara, escuta e recomendações que possam ser efetivamente aplicadas.
"Trabalhamos com comunicação clara e com recomendações úteis, porque recomendação que não se compreende não se implementa", frisou.
A atuação brasileira continua após a emissão dos relatórios. As recomendações dos ciclos anteriores são acompanhadas individualmente para verificar se os compromissos assumidos pelas entidades produziram mudanças concretas.
Das recomendações emitidas em anos anteriores, 61% já foram implementadas. Outra parcela permanece em andamento, e as pendentes continuarão a ser monitoradas nos ciclos seguintes.
Entidades auditadas
Na 80ª Sessão, o Brasil apresentou relatórios referentes a nove entidades e estruturas das Nações Unidas:
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef);
Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres);
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC);
Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA);
Universidade das Nações Unidas (UNU);
Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (Unitar);
Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Criminais (IRMCT);
Fundo Conjunto de Pensão do Pessoal das Nações Unidas (UNJSPF);
Escritório das Nações Unidas em Viena.
Após a aprovação e a assinatura pelo Conselho, os relatórios seguem para a Assembleia Geral da ONU e para os órgãos de governança das entidades auditadas.
A atuação do país no Conselho de Auditores mobiliza profissionais de diferentes instituições e regiões brasileiras.
Em 2025, os trabalhos reuniram 46 auditores dedicados exclusivamente ao projeto, provenientes de 16 estados e do Distrito Federal. As equipes foram formadas por servidores do TCU, da Controladoria-Geral da União (CGU) e de tribunais de contas dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. As mulheres representaram 41% dos integrantes.
A diversidade institucional e geográfica amplia as perspectivas consideradas nas auditorias e contribui para que os trabalhos reflitam diferentes experiências do sistema de controle externo brasileiro.
Também participaram da 80ª Sessão os ministros Walton Alencar Rodrigues, atual supervisor das auditorias da ONU, e Benjamin Zymler, que assumirá a supervisão dos trabalhos no próximo biênio, além do subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU Paulo Bugarin.
Na sexta-feira (17/7), antes da apresentação, o ministro Vital do Rêgo reuniu-se com integrantes do Projeto AuditaONU em Nova Iorque. Na ocasião, agradeceu às equipes pela condução dos trabalhos ao longo do biênio e destacou o compromisso de manter as pessoas no centro de cada relatório.
Sobre o Brasil no Conselho
O Conselho de Auditores da ONU é responsável pela auditoria externa das finanças das Nações Unidas, de seus fundos, programas e operações de paz.
O colegiado é formado por três instituições superiores de controle, que dividem entre si as entidades auditadas e se revezam na presidência. O Brasil, representado pelo TCU, integra o órgão desde julho de 2024, para um mandato de seis anos.
A Sessão Regular é o principal encontro anual do Conselho. É nessa reunião que os integrantes analisam, aprovam e assinam os relatórios produzidos no ciclo anterior.
A 80ª Sessão também marca a entrada da Indonésia no colegiado, em substituição à China. O Brasil passa, assim, a integrar o Conselho ao lado da França e da Indonésia.
Para saber mais sobre o papel do Brasil no Conselho, acesse o site do Projeto AuditaONU: https://sites.tcu.gov.br/auditaonu.
Vídeo institucional
Ao final da apresentação brasileira, foi apresentado o vídeo Our work begins and ends with people (Nosso trabalho começa e termina nas pessoas).
A produção reúne imagens das equipes em missão, das entidades auditadas e das populações atendidas pelas Nações Unidas. A peça reforça a mensagem de que o trabalho de auditoria deve contribuir para fortalecer as instituições e gerar resultados concretos para as pessoas.
Por: Tribunal de contas da União