DPU - 27 de Julho
Na Semana Nacional de Mobilização, DPU lança campanha de conscientização sobre tráfico de pessoas
Brasília - Promessas de emprego, estudo ou melhores condições de vida podem esconder situações de tráfico de pessoas: essa é a mensagem principal do vídeo lançado pela Defensoria Pública da União (DPU) nesta segunda-feira (27), durante a Semana Nacional de Mobilização para o enfrentamento ao tráfico de pessoas, com a campanha Coração Azul, que será realizada entre 27 e 31 de julho. O vídeo será veiculado pela DPU em suas redes sociais e em parceria com sistemas de transporte metroviário, rodoviárias, entre outros locais de grande acesso da população.
O tema da campanha este ano é 'aprisionados pelo golpe', que busca dar visibilidade ao crescente fenômeno de tráfico de pessoas para fins de criminalidade forçada em operações de golpes online, que vem se expandindo em diferentes regiões do mundo e afetando brasileiros aliciados por falsas promessas de trabalho e oportunidades econômicas.
As pessoas devem sempre desconfiar de oportunidades que sejam muito vantajosas, em especial quando envolvem deslocamentos para outras cidades ou países. O tráfico de pessoas não se limita à exploração sexual, e o aumento de pessoas traficadas para serem submetidas a trabalho análogo à escravidão é um sintoma dos tempos atuais. Há também outras formas de exploração humana no tráfico de pessoas como, por exemplo, a adoção ilegal, a remoção de órgãos, o casamento servil, dentre outras.
“O tráfico de pessoas começa com promessas enganosas que disfarçam a exploração sob a aparência de oportunidade”, afirmou a defensora pública federal Ana Claudia Tirelli, que coordena atualmente o Grupo de Trabalho de Assistência e Proteção às Vítimas de Tráfico de Pessoas (GTTP) da DPU. “A vítima muitas vezes sonha em estudar no exterior, conquistar liberdade financeira ou construir uma vida ao lado de alguém de outro país. Ela busca melhores condições de vida e dignidade. No entanto, são justamente esses desejos legítimos que as organizações criminosas exploram”, completou.
Os criminosos são muito bons em ler as vítimas. Eles buscam fatores que as tornam mais vulneráveis, e usam de estratégias de sedução e persuasão, apresentando-se como pessoa influente, que ocupa cargo importante, como dono de empresas ou representante de agências de trabalho. Os criminosos, muitas vezes, se inserem no círculo social ou familiar das vítimas, conferindo maior credibilidade as suas ações.
As propostas sempre parecem boas demais, até pelo fato de que são adaptadas ao perfil da vítima e aos desejos dela, mexendo com sonhos, criando ilusões. Ofertas comuns de emprego em áreas de entretenimento, atendimento ao cliente, vendas online, com salários acima da média, ótimas condições de trabalho e a possibilidade de uma vida de qualidade em outro país - melhorando a vida de toda a família no processo.
Quando esta pessoa aliciada chega ao local de destino, a realidade muda totalmente. As promessas não foram cumpridas e, pior, agora ela deve pagar de volta todos os custos realizados pela 'agência'. Um dos crimes mais comuns para as pessoas aliciadas é o pig butchering (golpe da engorda), que obriga as vítimas do tráfico de pessoas a realizar golpes online de fraude financeira, em jornadas extremamente longas onde ocorrem violência física, ameaças, cárcere privado, entre outros abusos.
As vítimas têm que abordar centenas de pessoas diariamente por redes sociais ou aplicativos de mensagens, fingindo amizade, criando conexões para convencê-las a investir em plataformas falsas de criptomoedas, investimentos inexistentes ou envio de valores. Existem organizações gigantescas em regiões como o sudeste asiático que aliciam pessoas de todas as partes do mundo para realizar estes crimes, mas o crime se expande e já atinge diversas outras regiões do globo.
Atualmente, organizações tem dificuldade de quantificar os valores que os crimes cibernéticos associados ao tráfico de pessoas movimentam, mas estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) falam em bilhões de dólares, sustentado por verdadeiros complexos criados para o crime, com milhares de pessoas traficadas para aplicar as fraudes.
A Chainalysis, empresa com sede em Nova Iorque responsável por análises de blockchain, afirma que no ano de 2025 pelo menos 14 bilhões de dólares foram identificados como oriundos de fraudes com uso de criptomoedas, com o pig butchering sendo uma das principais categorias de receita dos criminosos. As perdas reais devem ser ainda maiores, pois há outros métodos não rastreados, como transferências bancárias, dinheiro em espécie e casos não reportados.
Campanha Coração Azul
O Coração Azul, símbolo da luta internacional contra o tráfico humano, representa a tristeza das vítimas do tráfico de pessoas e nos lembra da insensibilidade daqueles que compram e vendem outros seres humanos, crime que fere os princípios básicos dos Direitos Humanos, ratificado por quase todos os países do mundo. Desde 2014, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) coordena as ações e convida instituições parceiras e membros da rede de enfrentamento para focarem seus esforços na conscientização e no fortalecimento do combate ao crime organizado.
GTTP
O Grupo de Trabalho de Assistência e Proteção às Vítimas de Tráfico de Pessoas (GTTP) desenvolve atividades em âmbito nacional e internacional, desenvolvendo estratégias para a prevenção e repressão do tráfico de pessoas e oferecendo assistência e proteção às vítimas. O Grupo também atua na promoção e criação de políticas públicas e na interlocução com órgãos internacionais, do governo brasileiro e organizações da sociedade civil com o objetivo de aprimorar o combate ao tráfico de pessoas e a proteção de grupos vulneráveis.
DCC /ACAG
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União
Por: Defensoria Pública da União