TCE-BA - 24 de Agosto
Tecnologia torna controle mais ágil e preventivo
Encontrar uma possível irregularidade em meio a milhares de contratos, pagamentos, licitações e documentos já foi um trabalho muito mais manual. Hoje, no TCE/BA, sistemas cruzam bases de dados, identificam padrões e ajudam a apontar onde o auditor deve concentrar sua atenção. Em 111 anos, mudaram as ferramentas e a própria maneira de fiscalizar.
A virada começou a ganhar força nos anos 2000, com a informatização do Tribunal, e avançou na década seguinte com soluções desenvolvidas para apoiar diretamente a auditoria. De acordo com o diretor do Centro de Estudos e Desenvolvimento de Tecnologia para Auditoria (Cedasc), Edmilson Galiza, um dos marcos foi o Mirante, sistema que reúne recursos de Business Intelligence e análise de dados. A partir de 2015, outro passo decisivo: a implantação dos processos 100% digitais, posteriormente estendida ao acervo processual.
“O Mirante permitiu transformar grandes volumes de dados públicos em informação útil para o planejamento e a execução das auditorias”, explica o diretor do Cedasc. Na prática, cruzamentos e trilhas de auditoria passaram a indicar possíveis problemas em licitações, contratos, pagamentos, pessoal, fornecedores e obras.
A tecnologia também começou a olhar para a frente. Testado a partir de 2022, um modelo preditivo utiliza dados históricos e informações de julgamentos para estimar riscos em instrumentos de repasse e alcançou 87% de acerto nos testes. Já o novo Data Center oferece a infraestrutura necessária para sustentar sistemas e volumes crescentes de informações com mais segurança e estabilidade.
A inteligência artificial abre agora um novo capítulo. A TiCianE, assistente virtual do Tribunal, interage em linguagem natural, auxilia no uso do Mirante e apoia auditorias e capacitações. O horizonte, ainda segundo Galiza, inclui IA aplicada à leitura de grandes volumes de documentos, identificação de padrões, classificação de riscos e geração de alertas.
Mas a máquina não toma o lugar de quem fiscaliza. “A IA deve apoiar a decisão do auditor, jamais substituir o juízo técnico, jurídico e institucional do Tribunal. A tecnologia amplia a capacidade humana”, ressalta o diretor do Cedasc.
Por: Tribunal de Contas do Estado da Bahia