TRT8 - 14 de Setembro
Burnout: quando o cansaço no trabalho deixa de ser só cansaço
O fim de semana passa e a sensação é de que o descanso não foi suficiente. Voltar ao trabalho exige mais esforço, a rotina começa a pesar e aquilo que parecia apenas uma fase mais puxada se prolonga. É nessa diferença entre um cansaço passageiro e um desgaste que permanece que o burnout precisa ser compreendido. Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional, o burnout está ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente. Exaustão, distanciamento ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional são as três dimensões apontadas pela OMS.
“O burnout é uma resposta ao estresse crônico relacionado ao trabalho quando as demandas permanecem, por longo período, maiores do que os recursos disponíveis para enfrentá-las”, explica o psicólogo José Gabriel Rossi, chefe da Seção de Suporte Psicossocial da Coordenadoria de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP).
O que observar
O esgotamento pode dar sinais na rotina antes mesmo de a pessoa entender o que está acontecendo. Irritabilidade, isolamento, perda de interesse, dificuldade de concentração, insônia e vontade frequente de faltar ao trabalho estão entre eles. O Ministério da Saúde também cita dores de cabeça, cansaço físico e mental excessivo e sentimentos de fracasso e insegurança.
Nem sempre essas mudanças são percebidas por quem está vivendo o problema. Um comportamento diferente no trabalho pode chamar a atenção dos colegas; em casa, familiares podem notar que o desânimo e a impaciência passaram a fazer parte do dia a dia. Quando esse quadro persiste, é importante procurar ajuda profissional. Mas olhar apenas para os sintomas conta só uma parte da história. As condições em que o trabalho acontece também importam. Sobrecarga, pressão constante, prazos excessivos, pouca autonomia, falta de reconhecimento, conflitos, assédio e ausência de apoio da gestão podem contribuir para o esgotamento. Quem trabalha sob grande responsabilidade ou lida diariamente com forte carga emocional também pode estar mais exposto.
A preocupação com o tema aparece também nos afastamentos. Dados da Previdência Social divulgados pela Fundacentro mostram que os benefícios associado ao esgotamento profissional passaram de 628, em 2019, para 4.880, em 2024.
E é importante lembrar que procurar apoio profissional, preservar períodos de descanso, conversar sobre a sobrecarga e estabelecer limites são caminhos necessários. Só que a prevenção não pode terminar aí. Se o burnout está relacionado ao trabalho, as condições de trabalho também precisam fazer parte da resposta. Organização das atividades, cargas e metas, relações entre equipes e gestores e enfrentamento ao assédio e à discriminação são questões que precisam ser observadas pelas instituições.
É por isso que José Gabriel chama atenção para um ponto que, muitas vezes, se perde quando o assunto é saúde mental no trabalho: “autocuidado ajuda, mas não substitui mudanças nas condições de trabalho.”
No TRT-8, a Seção de Suporte Psicossocial integra a Coordenadoria de Saúde e atua no suporte às questões psicossociais relacionadas ao ambiente de trabalho. Nem todo cansaço significa burnout. Mas quando as mudanças persistem e começam a afetar o trabalho e a vida pessoal, é importante procurar ajuda profissional. Identificar o que está acontecendo e buscar orientação adequada pode evitar que o esgotamento avance.
Por: Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região