ConJur - 10 de Julho
MPF defende ampliação de recursos no SUS para tratamento de vício em apostas
Esse foi um dos pontos defendidos pelo procurador da República Fabiano de Moraes, coordenador da Comissão de Saúde da Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral (1CCR), do Ministério Público Federal, em audiência pública que discutiu impactos sociais, econômicos e de saúde pública da expansão das bets no país.
Magnific
Expansão das bets e das plataformas de jogos online está sobrecarregando o SUS
Promovido pela Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8), o encontro tratou também das medidas de prevenção à ludopatia (vício em jogos e apostas), mecanismos de proteção aos consumidores e restrições à publicidade do setor.
O representante do MPF alertou que a aposta é uma atividade de alto risco, ampliado ainda mais pelo acesso facilitado aos jogos pelo celular.
A publicidade do setor — associada sobretudo ao futebol, a atletas e influenciadores populares entre crianças e adolescentes — faz com que o esporte deixe de ser um palco de divertimento para se tornar uma vitrine de captação de apostadores.
Assim, de acordo com ele, uma maior restrição à publicidade das bets é essencial para garantir a proteção ao consumidor, à saúde e à infância e adolescência, como já foi feito com a publicidade de tabaco e de bebidas alcoólicas.
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A fiscalização é falha
O procurador destacou medidas já adotadas, como a vedação de crédito para apostas online, o impedimento do uso de recursos oriundos de benefícios sociais (a exemplo do Bolsa Família), a possibilidade de limites de gastos e a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, entre outras.
Lançada recentemente pelo Governo Federal, a ferramenta permite que a pessoa bloqueie o próprio CPF de uma só vez em todas as casas e operadoras de apostas.
No entanto, de acordo com ele, o Brasil pode avançar e aprimorar a legislação para obrigar as bets a fazer checagem prévia da compatibilidade financeira dos apostadores, o que pode prevenir o superendividamento, e a estabelecer um teto de apostas padronizado, com parâmetros fixos para todas as casas.
Outra medida essencial é garantir a transparência algorítmica das plataformas de apostas, para saber se e de que forma elas estimulam o comportamento compulsivo dos apostadores.
“A estrutura de proteção tem muito a avançar e precisamos fazer valer as normas que já existem, uma vez que o arcabouço legal existente não está totalmente implementado e a fiscalização ainda é falha”, afirmou o procurador.
O MPF já instaurou inquéritos civis públicos tanto para investigar os impactos socioeconômicos das bets quanto para o possível abuso na publicidade das casas de apostas, principalmente na transmissão dos jogos da Copa do Mundo 2026.
“O compromisso do MPF é com a proteção da saúde mental, do orçamento das famílias, dos consumidores mais vulneráveis e das crianças e adolescentes, público atingido pela publicidade das bets”, concluiu.
Saúde pública
A ludopatia já é considerada um problema de saúde pública pelo Ministério da Saúde e é a quarta dependência mais comum no país, atrás apenas do álcool, tabaco e maconha.
Segundo dados apresentados na audiência, de 2018 a 2025, o SUS registrou um aumento de 140% no número de atendimentos de pessoas com problemas de saúde mental relacionados a jogos e apostas compulsivas.
Mais de 25 milhões de pessoas apostaram em plataformas legalizadas em 2025, os jovens e as pessoas mais vulneráveis socioeconomicamente apresentam maior risco de desenvolver vício em jogos.
Em 2025, as empresas registraram faturamento bruto de R$ 37 bilhões, com R$ 9 bilhões arrecadados em tributos. Com informações da assessoria de imprensa do MPF.
Por: Consultor Jurídico