ConJur - 18 de Junho
Países usam discurso anticorrupção como arma política, diz ministro da CGU
Essa é a visão do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho. O chefe da pasta falou sobre o assunto em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico, no final de maio, durante o 5º Fórum Esfera, no Guarujá (SP).
Para ministro da CGU, pauta anticorrupção é instrumentalizada dentro e fora do país
O ministro critica o uso de argumentos morais por parte de potências estrangeiras para impor restrições comerciais e econômicas ao Brasil. Ele lembra que a corrupção e o crime organizado funcionam por meio de redes globais conectadas, o que torna hipócrita a postura de países que criticam nações em desenvolvimento, mas atuam como paraísos fiscais ou exportam armas para facções criminosas.
“Eu acho um erro esses discursos sobre corrupção que vão sempre para um debate ideológico e, de algum modo, ganham esses contornos de tentar enfraquecer um Estado, enfraquecer um país usando esse tipo de discurso, usando esse tipo de ferramenta geopolítica”, avaliou.
Para Carvalho, a atuação transnacional de grandes grupos criminosos deve promover a colaboração irrestrita entre os países, e não uma competição internacional.
“A gente tem que parar de usar esse assunto para competir e começar a usar esse assunto para cooperar, para fazer um enfrentamento global do problema e não para ficar jogando nas costas do país A ou do país B”, afirma o titular da CGU.
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O ministro também vê uso indevido da pauta anticorrupção em disputas políticas internas. Ele avalia que setores sociais aproveitam o tema para finalidades eleitorais, quando o foco deveria ser um trabalho de Estado perene, técnico e independente de colorações ideológicas.
Para Carvalho, essa tendência implica em uma dinâmica paradoxal, já que a sensação de corrupção na opinião pública costuma aumentar justamente quando os órgãos de controle atual de forma mais enérgica.
“A percepção elevada sobre a corrupção tem impacto sobre a confiança da população no Estado. Mas a gente tem que entender que, às vezes, essa percepção aumenta quando você também está combatendo a corrupção”, conclui.
Por: Consultor Jurídico