TCE-RS - 16 de Abril
TCE-RS abre Congresso Internacional com debate sobre ação climática e conferência de Carlos Nobre
O primeiro painel da programação, realizado na tarde desta quarta-feira (15), com o tema “Diálogo interinstitucional: parcerias da Rede de Controle para prevenção e mitigação das mudanças climáticas, planos de contingência e planos de logística sustentável”, teve como presidente de mesa a conselheira substituta do TCE-RS, Letícia Ramos. Em sua fala, destacou a importância de ampliar o debate sobre as possibilidades de atuação das instituições no enfrentamento das emergências climáticas.
Durante o painel, os participantes abordaram o recorte de gênero na vulnerabilidade climática, ressaltando que mulheres e meninas estão entre os grupos mais afetados em situações de calamidade. Também trataram da perda de patrimônio cultural no Rio Grande do Sul e das ações necessárias para sua preservação no contexto das mudanças climáticas. Outro ponto destacado foi a necessidade, no período pós-COP30, de fortalecer a coordenação interinstitucional, com foco em prevenção, elaboração de planos concretos de contingência, logística sustentável, descarbonização, economia circular e proteção dos patrimônios ambiental e cultural.
Na cerimônia de abertura oficial do Congresso, a coordenadora do Congresso e conselheira substituta Daniela Zago agradeceu a todos que contribuíram para o sucesso do evento, palestrantes e público. Alertou que a atuação dos tribunais de contas está interligada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Destacou que mais recentemente, os tribunais de contas têm defendido a ideia de uma espécie de centralidade do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13, que trata da tomada de medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos. “Esse evento irá demonstrar que há uma dimensão muito clara e nova, poderíamos dizer, que precisa ser destacada, que é a climática, que tem relação total e absoluta com o ODS13.”
Na oportunidade, Brum enfatizou que o evento já é um sucesso só pela representatividade que está não só na mesa, mas também junto a plateia e a todos que assistem pelas redes do Tribunal. Destacou que o Congresso reúne especialistas do Brasil renomados fora do país, inclusive para discutir o papel das instituições de controle na resposta à crise climática.
“A escolha de Porto Alegre como sede é simbólica para evidenciar a necessidade de respostas institucionais mais robustas diante dos eventos extremos. Quando falo nós, não é só o Rio Grande do Sul. É o Brasil inteiro que, de alguma maneira, por ser continental, uma parte sofre com a seca, com a estiagem, outra parte com as chuvas. Em nome do nosso presidente, Iradir Pietroski, obrigado aos professores e cientistas que atenderam o pedido da Audicon, por todos vocês terem escolhido o Rio Grande do Sul, e especialmente o Tribunal de Contas do Estado”, declarou o conselheiro Edson Brum.
Após a abertura oficial, com a conselheira substituta Daniela Zago na presidência da mesa, a conferência magna foi feita por Carlos Nobre, uma das maiores autoridades internacionais sobre mudanças climáticas, que abordou os aspectos emergenciais sobre o assunto. Nobre também foi escolhido pelo papa Leão XIV como membro do conselho que trata de desenvolvimento humano no Vaticano. “O planeta atravessa uma emergência climática e o aquecimento global atingiu 1,5°C nos últimos três anos e apresento aqui as explicações científicas para estes extremos climáticos”, ressaltou ele.
“Estou mostrando que há vários pontos de não retorno no planeta como, por exemplo, recifes de corais, permafrost, derretimento de mantos de gelo. Esta fase é um tremendo risco que quatro biomas brasileiros estão de atingir pontos de não retorno: Cerrado, Caatinga, Pantanal e Amazônia”, foi relatado durante a apresentação. Na parte final de sua fala, Carlos Nobre mostrou as necessidades de mitigação das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e os planos para o Brasil atingir emissões líquidas zero até 2040. Salientou que é urgente a adaptação do país a todos eventos climáticos extremos: ondas de calor, secas e chuvas excessivas. E finalizou com propostas de soluções baseadas na natureza para salvar os biomas brasileiros de atingir os pontos de não retorno.
Confira a programação e os palestrantes do Congresso.
Confira as fotos do primeiro dia aqui.
Por: Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul